Gosto da revista
Trip. Sempre gostei.
Desde seu início, quando Rafic Farah diagramava a
dita cuja, e tirava uma dos diagramadores
'comportadinhos' que faziam magazines como a
Playboy, por exemplo, e outras...
Por falar nisso, o bom gosto deles pra mulherada é
impecável, sem pasteurização, raro de se ver...

Mas o que chama a atenção na edição da Trip 163
não é a mulherada. É a figura imponente
de Rickson Gracie, o lutador.
Aos 48 anos, é uma figura impressionante.
Mais impressionante ainda é sua carreira, leio na Trip.
Foram 460 lutas, e não perdeu uma sequer.
Figura lendária no mundo inteiro, está prestes a marcar
a última luta de sua carreira, que provávelmente será
no Japão, onde virou uma lenda.
Difícil de se ver na imprensa qualquer manifestação
da familia Gracie, mesmo agora, com a trágica morte do
primo de Rickson, Ryan, numa delegacia de São Paulo.
O que chama a atenção em Rickson, segundo a Trip, é
a disciplina e o autocontrole que emana dele.
E suas afirmações, curiosas e peculiares.
Sobre a derrota:
"Porque iria pensar em perder, a essa altura
do campeonato?"
Respondendo porque sentia que era sua energia era
sugada nos EUA, onde morou durante 18 anos:
"É mais do coração, de como me sinto, de como
me posiciono no mundo.
Vivo pela razão, mas obedeço meu coração.
Estar feliz é o mais importante."
Sobre a violência:
"É fruto da insegurança, do medo e da covardia.
não acredito em violência sem razão."
Sobre a academia e o jiu-jítsu:
"O ideal é que a arte marcial aumente a
autoconfiança, a disciplina, o respeito, o autocontrole.
Se você não controla seu próprio instinto,
perde pro seu oponente e na vida."
Sobre acertar sempre e arrogância:
"O que eu faço eu assumo. Muitas vezes não foi a
melhor opção, foi um erro.
Mas você tem que aceitar
que quando você errou foi a melhor coisa que
pôde fazer."
e a morte de Ryan, seu primo:
"Negligência médica. Ele já estava sob a influência
de alguma substância,
o cara encheu ele de remédio e o coração
dele não aguentou."
Sobre a rotina, trabalho:
" Parece até brincadeira falando, mas eu me
divirto o tempo todo.
Sou muito agradecido de poder
viver minha recreação, meu trabalho, meu
ganha-pão, tudo envolvendo prazer."
Sobre a idade:
"Não sei quantos anos tenho. Prefiro
responder como 18, ou 100.
O importante é estar pronto!"
Podemos tirar as conclusões que quisermos,
sobre Rickson Gracie. Uma coisa, porém, é inegável:
é um homem que construiu sua vida da forma que
imaginou, com suas próprias regras.
Esquecemos, ás vezes, que isso é possível. Ele nos lembra.
As fotos que usei como base são de Marcos Vilas Boas.
Marco Angeli, fevereiro de 2008